As equipes de resgate nepalesas conseguiram retirar neste sábado (5), de um túnel no norte do país, um cidadão chinês que estava preso desde o deslizamento de 26 de agosto, informou à AFP um porta-voz do Exército.
“Um cidadão chinês acaba de ser resgatado de um túnel, no projeto hidrelétrico Alto Trishuli-1”, afirmou o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet.
Na sexta-feira (4), os serviços de emergência do Nepal também resgataram com vida dois trabalhadores que estavam presos desde que o deslizamento de lama catastrófico atingiu a região do Himalaia. Eles foram encontrados no túnel da hidrelétrica Trishuli-3.
O primeiro resgate na sexta foi anunciado pelo ministro da Energia, Biraj Bhakta Shrestha. Pouco depois, o ministro do Interior, Sudan Gurung, confirmou que uma segunda pessoa havia sido retirada do túnel.
Os sobreviventes foram identificados como Sanjay Shah, 30, encarregado de mecânica, e Kabir Maharjan, de 45, supervisor. Os dois serão levados para um hospital na capital, Katmandu, segundo Shrestha.
Durante os nove dias em que permaneceu no local, Sah disse ter conseguido manter contato com três ou quatro trabalhadores. Ele afirmou que outras pessoas podem ter sido levadas pela força da água para áreas mais profundas do túnel, que é muito extenso. Para manter a esperança durante o período em que ficou preso, o trabalhador contou que entoou o mantra Mahamrityunjaya, uma oração hindu.
Dezenas de socorristas nepaleses, com a ajuda de especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, trabalham há dias na escavação de vários túneis que ficaram soterrados após a enxurrada. As estruturas ficam em instalações de usinas hidrelétricas ou barragens em construção.
Pouco depois do desastre, as autoridades estimaram que cerca de cem trabalhadores que poderiam estar presos apenas no túnel de Trishuli-3. Até esta sexta-feira, os socorristas haviam encontrado alguns corpos nos túneis da região, tomados por água e lama.
A enxurrada de água, gelo e destroços, causada pelo colapso de uma geleira, que destruiu vários vales da região fronteiriça entre o Nepal e a China.
O desastre matou mais de 1.300 pessoas, de acordo com balanços ainda preliminares. Do total de mortos, 1.287 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia, e 31 do lado chinês, de acordo com a imprensa estatal.
O governo nepalês afirmou que mais de ao menos 5.083 pessoas estão desaparecidas. O grupo inclui mais de 900 funcionários das usinas hidrelétricas nepalesas. Por sua vez, a imprensa estatal chinesa informou 531 estão desaparecidas no território do Tibete.